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Estoque consignado: o que é e tem quem trabalhe com isso?

O estoque consignado não é nenhuma novidade no mundo dos negócios, principalmente nos mais informais: você fabrica ou é representante de algum produto, deixa no comércio local para ser oferecido e em troca dá uma bonificação para o vendedor.

Simples e bem brasileiro – muitas vezes esse comerciante é um velho conhecido e fica tudo na camaradagem mesmo.

Esse sistema funciona muito bem até hoje para pequenos produtores artesanais e até grandes distribuidoras de bebidas. Mas e no e-commerce, o estoque consignado funciona? Tem gente vendendo assim? É possível deixar o sistema mais formal? Vou discutir isso com você agora:

De verdade, o que é o estoque consignado?

estantes tradicionais de mercearias com potes de vidro de compotas. Entre os itens em conserva há doces e vegetais.

Já falei na prática como funciona o estoque consignado, mas por trás disso há um conceito que acho interessante você saber.

Ele é um sistema que funciona com duas partes: o consignatário, que é a empresa ou pessoa que tem posse de seus produtos e o consignante, que é uma outra empresa que fica com esses itens para revender – pode ser um grande varejista que funcionará como ponto de venda ou uma distribuidora, por exemplo.

O ponto-chave do estoque consignado é que, neste caso, o produto ainda continua sendo de posse do consignatário, o consignante vai funcionar apenas como mais um canal de venda ou armazenagem para ele – em um acordo que seja benéfico às duas partes, claro.

Aqui tanto o dono dos produtos quanto o consignante podem, inclusive, solicitar a devolução das mercadorias que não tiveram saída.

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Acho que agora ficou mais claro, né? Esse tipo de estoque, assim como todos os outros possui os seus pontos fortes e outros não tão positivos:

Vantagens do estoque consignado

Quando você tem um excesso de estoque parado, o que você faz? Promoções é a resposta mais óbvia, mas muitas vezes não é a melhor estratégia porque você acaba perdendo dinheiro.

Com o consignado você não vai precisar tomar medidas desesperadas de liquidação para manter o seu fluxo. Isso porque você envia seu estoque para outros comerciantes venderem em lugares que o seu negócio ainda não atinge com tanta força, então o produto não estará saturado.

#DicaAmplia: mesmo com o estoque consignado, pode ser que as promoções sejam o melhor caminho – por necessidade ou por estratégia, como no caso da Black Friday. Para saber o valor mínimo a ser cobrado sem sair no prejuízo, só com o cálculo de markup. Descubra como calcular o mark-up de cada produto.

Outra vantagem de poder contar com terceiros em seu nome é que você aumenta a força da sua marca. Ela vai estar em novos lugares e mais pessoas terão acesso a ela. Funciona como ter um novo PDV sem precisar construir um, gastando com espaço e pessoal.

Como nem tudo é perfeito…

O estoque consignado trabalha com confiança. Não que o seu parceiro vai te passar a perna, até porque tudo fica registrado.

Mas se você trabalhar com produtos que precisam de uma armazenagem específica – como alimentos perecíveis, objetos de vidro ou com embalagens mais frágeis, vai precisar contar que o consignante cuide bem da exposição do seu produto. Se estiver mal armazenado, pode dar problema. Se tiver mal exposto, também.

No caso de perecíveis eu nem recomendo você trabalhar com o estoque consignado. Geralmente, os parceiros deixam para devolver perto da data de validade e te deixam em uma situação complicada.

Outro tipo de produto que não é muito interessante é qualquer um com baixo custo de venda. Isso porque descontando todos os gastos de transporte, acaba que não compensa – entra de novo na dica que eu dei sobre calcular o markup e ver até onde vale a pena.

Como é o estoque consignado no e-commerce

 mão segurando uma caixa com identificador de código de barras. Em segundo plano há outras caixas, um notebook e o suporte do equipamento de identificação.

Pegando tudo o que eu falei sobre estoque consignado já deu para você ter uma boa noção de como ele funciona para o nosso meio das vendas online. Aqui, a principal diferença é que não vai acontecer isso de “deixar os produtos para um parceiro vender e pronto”.

No estoque consignado para e-commerces a formalização do acordo entre as partes é extremamente necessária. Não pelo online ser um ambiente mais ou menos sério que o físico, mas pela própria dinâmica do negócio.

Veja algumas exigências e o porquê delas existirem:

  • Emissão de Nota Fiscal: as vendas online exigem Nota Fiscal, o que implica em um negócio mais sério. Como é uma loja que armazena e vende produtos por outra pessoa, o processo é meio complicado, mas funciona assim:
  1. Você envia os seus produtos ao consignante e uma NF de remessa de consignação é emitida;

  2. Quando o consignante vende algo, ele deverá emitir uma NF de Venda de mercadoria recebida em consignação mercantil ao cliente e uma NF de devolução simbólica de mercadoria recebida em consignação para você.

  3. Feito isso, você como consignatário deverá emitir uma NF-e de venda de mercadoria remetida em consignação mercantil para o e-commerce que fechou a venda;

  4. Se não fechou nenhuma venda e você quiser de volta os seus produtos, o consignante precisa te devolver os produtos junto a uma NF-e de Devolução de Mercadoria Recebida em Consignação.

#DicaAmplia: para emitir a Nota fiscal se faz necessário o código EAN (de barras) do produto. Se você apenas revende de alguma marca, com certeza seus produtos já tem um. Agora, se é você quem fabrica e quer vender consignado ou de qualquer forma online, veja como criar um código EAN para os seus produtos.

  • Formalização de demandas: no estoque consignado para e-commerces não estamos falando de deixar 4 ou 5 unidades para serem vendidas. Muitas vezes são lotes inteiros, então é preciso previsões de demanda para que você se organize e o consignante consiga armazenar e gerenciar. Com isso é bem comum contratos que preveem datas e quantidades a serem enviadas;

  • Contratar um ERP: já pensou que bagunça pode virar uma operação de estoque consignado para e-commerces? São produtos indo e voltando, NF ‘s a serem geradas… Então é extremamente necessário um sistema de ERP para gerenciar a logística e emitir as NF-e automaticamente. Saiba mais no texto sobre como fazer controle de entregas com integração logística.

Com tantas burocracias assim já era de se esperar que não existam tantas empresas no e-commerce que trabalhem com o modelo total de estoque consignado.

Hoje, a maioria são pequenas, que agem como cooperativas e fazem isso para alavancar a venda em um nicho específico.

Alternativas ao estoque consignado:

jovem mulher usando casaco de crochê em fundo rosa neutro. Ela faz cara de confusa e aponta para duas direções opostas com as mãos.

O estoque consignado “raiz” realmente não é muito comum. Mas como as vantagens desse tipo de negócio são imensas – principalmente em relação ao estoque e manuseio de produtos, que representam 37,4% dos gastos do e-commerce (ABComm), os grandes players do e-commerce já trataram logo de pegar a essência desse sistema.

Eu listei dois exemplos que com certeza você já conhece:

O Fulfillment

Por mais que o fulfillment esteja em alta hoje mais que nunca, ainda é possível que você não conheça esse nome. Mas e sobre o Mercado Livre Full, o Amazon Prime e a Entrega a jato Americanas? Já ouviu falar?

Pois então, todos esses sistemas viram que o fundamento do estoque consignado tem ainda uma vantagem escondida: a capacidade de entregar pedidos ainda mais rápido.

De um jeito bem simples e sem apontar as peculiaridades de cada empresa, o fulfillment funciona assim:

  • Você contacta a empresa em questão;
  • Envia os seus produtos ao centro de distribuição;
  • Quando é fechado algum pedido, eles tratam de embalar, enviar e cuidar do pós venda do pedido.

A big idea deles é que estando em um centro de armazenamento próprio é bem mais fácil fazer entrega expressa. Tanto pela estrutura e equipe quanto pela logística – um centro de São Paulo pode enviar 1000 produtos para Salvador e, de lá distribuir para toda a região. Isso aproveita os caminhos.

Mas sem fugir do assunto, você deve até estar se perguntando: “mas isso é estoque consignado, não?” Em partes sim. O produto ainda é seu e, ao menos no caso da Logística da Amazon (é o nome do fulfillment deles, conhecido lá fora como FBA) você pode inclusive pedir a devolução dos produtos caso não seja mais interessante para você, desde que pague uma taxa.

Mas a diferença entre a consignação em e-commerces e o fulfillment – em específico da Amazon como parâmetro de avaliação – é que, basicamente, eles pegaram apenas a melhor parte do estoque consignado. Veja só:

  1. Os produtos não são vendidos como “e-commerce do João” e sim com o nome da Amazon mesmo;

  2. Você não tem um compromisso de “entregar 1000 produtos por mês”. Você pode deixar lá quantos quiser e, inclusive, se não quiser, pode parar de enviar também;

  3. Não há a necessidade de das NF de consignação a cada etapa porque o registro de produtos é todo feito digitalmente pelo inventário de produtos. A partir dele você sabe quantos produtos estão com eles e a condição que cada um chegou lá. Se algum for vendido também já é compensado.

#DicaAmplia: Se interessou pelo Amazon FBA e também quer vender como Amazon Prime: Saiba mais sobre a logística Amazon para lojistas do marketplace – o que sabemos até agora.

Dropshipping

Uma segunda alternativa ao estoque consignado que vem angariando mais e mais adeptos pelo mundo dos e-commerces é o dropshipping – entrega direta, em português.

Dropshipping é o modo mais tradicional de venda sem estoque que nós temos hoje. Ele funciona como um “estoque consignado reverso”. Veja o comparativo:

1. No estoque consignado:

  • Você tem os produtos;
  • Envia à sites parceiros que cuidam de divulgar e vender para você;
  • Elas tratam de vender para você, tiram parte dos lucros e te retornam o montante restante.

2. No dropshipping:

  • Os produtos são das fábricas e ficam lá;
  • Você cria um site e trata de vender esses itens (mas eles não ficam com você, continuam nos fornecedores);
  • Você sabe qual é o preço do produto deste fornecedor, então cobra a sua margem de lucro em cima do valor para revender;
  • Quando um pedido é feito, você emite uma NF-e em seu nome, com o valor que você cobrou.
  • Então o sistema direciona para a central do fabricante que trata de enviar ao seu cliente por você (só nessa hora o produto passa a ser seu. Não precisa comprar antes para revender);
  • No final do mês o fornecedor envia a conta dos produtos vendidos no período. Você repassa o que é dele e fica com o seu lucro.

Nesse sistema o seu cliente nem sabe, mas você não teve contato direto nenhum com o produto durante todo o processo.

A inversão está justamente aí: no estoque consignado, uma empresa terceirizada usa os seus produtos para vender. Já no dropshipping é você quem utiliza o estoque (espaço físico e produtos) dos fornecedores.

Muitos empresários que estão começando agora e ainda não tem muito capital para investir estão utilizando esse sistema porque você precisa pagar por ele só no momento que fecha uma venda.

Mas estou percebendo que essa conversa está indo para um outro caminho, o que foge do que estamos falando aqui: o que é estoque consignado e se tem quem trabalha com isso no e-commerce.

Quanto a isso você viu que, seguindo à risca, não tem muitos e-commerces de relevância que trabalham com esse método, mas que aperfeiçoaram o estoque consignado deixando em algo ainda mais viável.

Agora, se a conversa sobre dropshipping te instigou, sugiro continuarmos essa conversa no meu texto que vai responder a pergunta de um milhão de reais: dropshipping brasileiro vale a pena?

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