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O que eu espero do segundo semestre do e-commerce

Estamos entrando no segundo semestre do e-commerce muito otimistas, principalmente pela série de ótimos resultados obtidos desde o ano passado.

Mas ao mesmo tempo, é preciso ser realista e entender que o cenário está diferente: a renda da maior parte da população não é mais a mesma e os sinais de recuperação da economia ainda andam muito nebulosos.

Mas a gente sabe que, com toda a dinâmica das vendas online, não dá pra simplesmente esperar a poeira baixar pra fazer algo. O melhor caminho é mesmo a cautela, mas aliada de uma análise crítica para entender como realmente será o segundo semestre do e-commerce.

Nesse texto você tem os dois. Analisei os dados disponíveis e tracei um panorama mais realista de como será o segundo semestre do e-commerce. Vem comigo:

O que dizem as notícias

mulher sentada em um sofá com xícara não. Com a outra mão ela está segurando um jornal aberto, o que esconde o seu rosto.

Seria redundante se eu usasse este espaço para “inventar a roda”, falando todos os recordes que foram batidos em 2020. Disso você já sabe.

Mas só para termos um parâmetro geral, o faturamento foi 122% maior que em 2019, como apontado pela Câmara Brasileira da Economia Digital e Neo Trust.

Essa tendência virou o ano, e, no primeiro trimestre de 2021 tivemos alta em 57,4% nas vendas, se comparado ao mesmo período de 2020.

Com tanta notícia boa, já era de se esperar que, para todo mundo, as vendas online vão só crescer mais e mais – ao infinito e além: a previsão da e-bit Nielsen aponta um crescimento de 26% em faturamento para este ano -, boa parte desse montante virá no segundo semestre do e-commerce, onde temos as principais datas do calendário sazonal.

Para justificar esse crescimento, temos o famigerado “novo normal”, onde, por conta do distanciamento físico e do comércio fechado, os clientes acabam comprando online. Isso é inegável e transparece em dois pontos principais.

  • Os novos compradores online: um ponto chave para o boom do e-commerce foram os 13 milhões de novos compradores que aderiram às compras online. Mais que isso, se encantaram! O e-commerce Brasil publicou uma pesquisa da Criteo onde 95% deles vão continuar no online após a pandemia – este é um dos principais argumentos para o crescimento no segundo semestre do e-commerce.

  • A onipresença dos marketplaces: se essas pessoas ainda não haviam comprado online, é porque tinham receio. Mas já que, agora não teve outro jeito, o caminho mais garantido foi recorrer a grandes nomes que ele já conhecia, como Magalu, Americanas e afins. O resultado não poderia ser outro: os marketplaces tiveram participação em 78% do faturamento. É o que aponta a 42ª edição do relatório Webshoppers.

Mas o cenário será tão otimista assim?

homem em home office, pensando com caneta apoiada no rosto.

Quando vemos essas pesquisas onde o brasileiro quer comprar – e quer comprar online -, nos enchemos de confiança e achamos que, em qualquer circunstância, o segundo semestre do e-commerce vai ser extremamente lucrativo.

É agora que eu vou preciso fazer o papel de advogado do diabo e mostrar um contraponto para você ver os dois lados da moeda nessa situação:

  • Desemprego: já ultrapassamos a marca dos 14 milhões de brasileiros desempregados e, com o fim do programa de manutenção de empregos – redução de carga horária e redução de jornada – pode ser que esse número cresça ainda mais até as coisas voltarem ao normal;
  • Inflação: você também percebeu que os insumos para se ter um e-commerce ficaram mais caros? Agora, pensa nos itens para o dia-a-dia do seu cliente? Essa relação entre o poder de compra e a valorização da moeda chamamos de inflação, que interfere em tudo, até nas taxas de cartão de crédito do seu consumidor. A previsão para o ano era de 3,75%, mas foi recalculada para 5,25% (G1 Economia).

O segundo semestre do e-commerce promete ser melhor

Agora que já te deixei atento, é hora de dar um pouco mais de esperança. Levando em conta o nosso cenário econômico, não posso dizer que os números para o segundo semestre do e-commerce serão animadores – mas ao menos mais confortáveis tendem a ser:

  • Retomada do PIB: quase sem comércio aberto e geração de empregos estagnada, encerramos 2020 com o pior PIB dos últimos 10 anos (-4,1%). Mas a expectativa é que o segundo semestre do e-commerce seja melhor que este, crescendo em torno de 4%. No fim das contas, vamos voltar à estaca zero, mas ainda assim é melhor que números negativos. Isso quer dizer mais dinheiro circulando – e mais poder de compra para seus clientes.

  • Taxa de câmbio: parece impossível acreditar nisso hoje, mas, ao que tudo indica, a nossa moeda vai valorizar no segundo semestre deste ano. Ao menos é o que prevê a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Hoje o dólar está na casa dos R$5,30, mas a estimativa é que ele encerre o ano a R$4,30 – isso em um cenário positivo, com o comércio reabrindo ainda este mês.

Veredito final: o que eu espero do segundo semestre do e-commerce

martelo em madeira utilizado para o veredito de juízes com aplicação em dourado. em seu centro.

Se você fizer uma pesquisa básica no Google por “o e-commerce no segundo semestre vai crescer”, com certeza vão aparecer vários resultados te falando que vai sim e, mais que isso, que vamos vender ainda mais que em 2020.

Mas esse não é o que eu quis te trazer neste texto. Na verdade, mais que uma resposta, o meu intuito aqui é justamente despertar o seu senso crítico para enxergar o cenário como um todo e tirar as suas próprias conclusões.

Um resultado ótimo em 2020 não garante um resultado ótimo em 2021 – na verdade, um resultado fora do comum normalmente indica um retorno à média na próxima medição.

Até porque esse crescimento eterno não existe. É mais ou menos o que eu disse no texto sobre “E-commerce em 2021 vai crescer como em 2020?” Vai sim, mas não é nessa métrica exorbitante e também não será para todo mundo – só para quem tomar boas decisões.

Sobre escolhas certas, como eu comecei este texto, me mantenho firme: o segundo semestre do e-commerce ainda é uma incógnita, está difícil prever como ele será. Mas ficar parado é o pior a ser feito porque assim com certeza o seu e-commerce será engolido.

O que eu sugiro é investir em algo mais garantido, como as vendas em marketplaces. Você já viu aqui que eles são as estrelas das vendas online, e não é por acaso: eles tem um reconhecimento de marca gigante – que para o seu cliente é interpretado como segurança -, com preços mais baixos e vantagens que estimulam a compra (frete grátis e entrega acelerada, retirada nas lojas, um ótimo trabalho de pós venda padronizado…).

Sei que essa não é a maior novidade do mundo e, provavelmente, você mesmo já vende em algum deles. Mas será que esse em que você expõe os seus produtos, é o melhor que temos hoje? Tem a taxa de comissão mais baixa? Atinge mais pessoas? Possui menos burocracias?

Isso você só vai descobrir se ler o meu Review dos melhores marketplaces: qual é o melhor pra vender hoje?

Te espero lá!