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Últimas notícias sobre a privatização dos correios. A quantas anda?

Em meio a tantas notícias sobre a privatização dos correios – algumas extremamente sensacionalistas e outras colocando essa como a melhor solução para a logística no Brasil, eu decidi fazer esse texto para te mostrar, de verdade, como está sendo levado esse processo.

O primeiro ponto é que sim, a privatização dos correios já é dada como certa. Mas vem avançando em passos lentos. Pra mim, essa falta de informações é a pior das notícias porque, seja como for daqui pra frente, estamos sem perspectivas sobre o que fazer agora.

Nós, como operadores de e-commerces, não podemos investir exclusivamente em transportadoras porque os Correios ainda existem e são a única opção para muita gente, mas também não dá para confiar 100% nos Correios, já que seu futuro é incerto.

Pra você sair desse cenário de suspense, eu resolvi analisar tudo sobre o assunto para te dar um parecer de ponto estamos no processo e até onde vai impactar no seu e-commerce:

FAQ da Privatização dos correios

fundo amarelo com logotipo dos Correios em branco. Na lateral direita há também vários pontos de interrogação.

Para organizar esse texto, eu levantei minhas próprias questões. Mas mais que isso, me coloquei no lugar de cada um que tem um e-commerce, e até de cada cidadão comum que deseja conhecer mais sobre o assunto – afinal, boa ou não, qualquer brasileiro já teve uma experiência com os correios.

Então vamos lá:

Os Correios foram incluídos no plano de privatizações. O que isso significa?

martelo e base em madeira em madeira, típico de juízes em fundo branco.

Ainda está meio nebuloso para muitos sobre o que se trata e quais são as diretrizes dessa privatização dos Correios.

Pois bem, no dia 13 de abril de 2021 o presidente Jair Bolsonaro, junto ao ministro da Economia Paulo Guedes incluíram os Correios no processo de descentralização, conforme publicado no Diário da União – estão incluídas ainda estatais como a Eletrobrás e Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O que eles planejam é vender à empresas privadas ao menos 70% dos Correios. Menos que isso, o governo ainda teria uma participação relevante nas ações e também decisões, o que afastaria possíveis investidores.

A partir desse ponto onde o decreto presidencial foi para a União, ainda há um longo processo pela frente, que inclui:

  • Aval do Congresso: a estimativa é que até o meio do ano o projeto seja deliberado pela Câmara – isso porque está sendo tratado com urgência;
  • Transação: até agosto ou setembro, os Correios deixam de ser uma estatal – processo que precisa ser deliberado pelo conselho de ministros;
  • Análise do TCU: com essa transação feita, ela é encaminhada ao Tribunal de Contas da União para também ser deliberada – processo duraria até o final do ano;
  • Edital: Após todas as aprovações, é feita a publicação do edital para o leilão e, caso apareça algum interessado em até dois meses, é provável que lá pra fevereiro a privatização dos Correios seja concluída.

Claro, esse é o “grosso” de tudo o que deve ser feito. Entre essas etapas ainda há algumas audiências públicas, encontros com possíveis investidores, reuniões e ofertas aos empregados e aposentados da empresa… enfim, ainda vem bastante burocracia por aí.

Então a privatização está para acontecer só em 2022?

calendário do ano de 2020 em formato de prancheta com ilustração botânica. Ele está em cima de uma mesa em madeira.

É isso mesmo, segundo o que aponta as notícias sobre a privatização dos Correios, só para o começo do próximo ano a estatal deixará de ser um órgão público. Mas o que isso significa? Não vai haver mais Correios a partir daí? Quem assume o lugar?

Depois disso, a tendência é que tudo se mantenha como está ou até melhorar. Não acredito que a Magalu (uma das interessadas na disputa) queira transformar os Correios em “Magalu Entregas”, até porque, essa privatização dos Correios ainda vai resguardar outros serviços, como a vacinação e livros didáticos de escolas públicas. Logo, seria uma confusão isso. Concorda?

O governo diz que precisa dessa privatização

Acontece que já faz um tempo que os Correios deixaram de ser um monopólio postal para se tornar uma empresa de entregas – especialmente para os e-commerces. Mas a sua operação não evoluiu tanto quanto essa demanda – prova disso foi o boom do e-commerce com a pandemia, quando as reclamações dos correios subiram 339%.

A verdade é que, pra melhorar é preciso investir, e os Correios não tem como fazer isso. Mesmo com um lucro de pouco mais R$1 bilhão em em 2020 – melhor resultado desde 2012, ainda amarga um prejuízo acumulado de 2,4 bilhões.

Além disso, ainda com lucro, segundo o governo, por ser uma estatal, eles podem investir apenas R$ 300 milhões/ano, quando seriam necessários R$ 2 bilhões/ano para a empresa crescer.

Os dois lados da privatização dos Correios

duas mãos em fundo neutro. Uma está apontando com o polegar para cima (símbolo de “joia”) e outra para baixo (símbolo de que não está tudo bem);

Como eu disse, o que todas as notícias sobre a privatização dos correios mostram é que ela vai acontecer de qualquer maneira. Agora, o que falta é prever como isso vai interferir na nossa vida e no nosso negócio.

Pra isso, eu vou te propor a fazer um exercício: deixe de se colocar como um usuário e se imagine como o dono dos Correios a partir de agora, assim vai ficar bem mais fácil de entender quais são os pontos positivos e negativos desse acordo:

Pontos positivos da privatização dos Correios

  • Entregas expressas: mesmo com algumas modalidades de serviço rápido, esse não é o forte deles, atendendo apenas algumas localidades e com um custo altíssimo. Mas entendendo o comportamento do consumidor, onde cada vez mais se exige um tempo de entrega menor, este será um ponto de atenção;

#DicaAmplia: Na verdade, a revolução do tempo de entrega de e-commerces está começando. Esse é o título do meu texto sobre o assunto. Leia para descobrir quais serão as minhas apostas nesse sentido.

  • Maior estrutura: sinceramente, os Correios não possuem uma gestão corporativa. Eles têm outras preocupações como atender a toda a população, servir como banco postal para em cidades onde não possuem agências bancárias e coisas do tipo. Eles não tem uma abordagem competitiva em relação aos concorrentes – justamente por isso não investem em oferecer o melhor serviço do segmento;

Pontos negativos da privatização dos Correios

  • Área de atuação menor: uma das vantagens – e também motivo do prejuízo – dos correios é estar em todos os municípios brasileiros. Isso faz com que a sua encomenda chegue em qualquer lugar. Hoje, eles fazem uma espécie de “rateio”, onde as agências mais movimentadas subsidiam parte das menores. Com a privatização dos Correios, há grandes chances de várias delas sumirem do mapa;

  • Preço: eu te desafio a acessar agora o Melhor Envio e fazer uma simulação. Dificilmente alguma transportadora vai ter um preço menor que o do PAC. Quando optamos por fazer um contrato com os Correios então, nem se fala. Então, pode esperar que a nova empresa que vai ter o poder de 44% do mercado de encomendas no Brasil e ainda fazer algumas melhorias vai querer lucrar em cima.
tipico caminhao amarelo dos Correios. Seu modelo não parece ser muito novo e ele está parado em frente à uma casa antiga;

De todas as notícias sobre a privatização dos Correios, uma certeza em quase todas é essa: os preços irão subir. Quanto às outras questões, sim, eu me preocupo. Não posso lhe dizer com certeza como será a emissão de CPF ou calcular os prejuízos das cidades bem pequenas, onde nem agências bancárias existem e a empresa cumpre esse papel.

Também não há como eu afirmar que todos os lugares onde conseguimos fazer entrega estarão disponíveis amanhã. Hoje, mesmo quando optamos fazer entregas em transportadoras, em regiões mais afastadas, o último trecho pode ser transferido para a os Correios por redução de custo.

Mas, se eu pudesse apostar, seria em um sistema cada vez mais unificado entre as transportadoras para sobreviverem à privatização dos Correios – cada uma delas atenderá a uma região, sendo responsável por parte do trajeto e transferindo os próximos trajetos a outras parceiras.

Isso seria uma maneira de cortar custos, se fortalecer e brigar com a nova potência que vai surgir para dominar o mercado de forma agressiva.

Essa minha aposta se concretizando ou não, o que eu sei é que economizar é sempre necessário, principalmente quando falamos do envio de mercadorias e logística em geral – você sabe melhor que eu quanto você gasta com isso na sua operação.

Para te ajudar nisso, eu separei alternativas aos três grandes gargalos da logística no texto “como economizar no e-commerce? Estoque, embalagem e envio”. Vale muito a pena!