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Dropshipping internacional é legal e viável?

Um dos assuntos mais procurados no Google hoje em dia é se o dropshipping internacional é legal. E se for, se é viável começar uma loja assim. Bom, depende.

É difícil dizer muita coisa sem entender o seu cenário e o que sua loja faz. Mas em algo já podemos concordar: quando a resposta para “é legal e viável?” for “depende”, você precisa pensar 3 vezes antes de embarcar nesse modelo de negócios.

O que eu quero dizer é que o dropshipping internacional, hoje, do jeito que é praticado por grande parte dos lojistas, esbarra várias vezes na ilegalidade ( e isso quando ele não é completamente ilegal). No entanto, é super possível trabalhar dentro da lei mas, nesse caso, quanto mais “correto” for o negócio, mais ele perde sua viabilidade.

No texto de hoje quero falar com mais detalhes sobre esse assunto. É complicado afirmar de forma categórica que é ilegal ou não, o melhor caminho é sempre o debate. Vou dar a minha opinião e você me diz, no final do texto, se concorda ou não. Pode ser? Então vamos começar.

 Porto com navios esperando abastecimento.

O dropshipping internacional é legal?

Muita gente reconhecida, que produz conteúdo para e-commerces há quase uma década, não tem muito receio em apontar as ilegalidades do dropshipping internacional. Se você entra no YouTube, ou pesquisa pelo Google, percebe que a maioria dos canais e blogs da área não têm pudores em apresentar o modelo como ilegal.

Isso é complicado, porque muita gente acaba achando que o dropshipping internacional é, em si, ilegal. Só que não é bem por aí: as práticas adotadas pela maior parte das empresas hoje é completamente fora da lei. Mas o modelo em si não é.

Vou te explicar melhor nesses tópicos. Veja:

Para ser legal, você precisa ser uma empresa mediadora de importações

O modelo de negócios em si – o próprio dropshipping internacional – é completamente legal. Você pode, sim, atuar como intermediador de importações e operar nessa modalidade logística. O problema é que você precisa ser uma empresa cadastrada no CNAE correspondente, e a maioria dos lojistas não é.

É por isso que o dropshipping internacional, muitas vezes, cai na ilegalidade. Você só pode fazer esse tipo de operação se tiver CNPJ, se não tiver, está fora da lei. Muitos sites que trabalham assim no Brasil vendem com o CPF e acabam nem emitindo nota de saída para o cliente. Às vezes, nem receberam a nota de entrada do produto, escapando de vários impostos sobre a importação.

Então, se você quer implementar o modelo de negócio dentro da legalidade, faça um CNPJ dentro do CNAE correto. O que eu te sugiro é o 5250-8/01, que trata de serviços de desembaraço aduaneiro.

Só lembrando: não é você que precisa de um CNPJ, é o seu site, a sua loja, que precisa estar cadastrada com um CNPJ. Inclusive, com todas as informações visíveis, como o endereço de funcionamento, horários e um telefone de contato. Outra coisa, é extremamente necessário deixar claro quem é o fornecedor por trás – algo que muitos e-commerces que fazem dropshipping internacional tentam esconder.

Uma pessoa assinando um documento em cima de mesa. E outra com os braços cruzados espera a assinatura.

Você precisa entrar no Radar da Receita

Os impostos para importação de produtos no exterior não podem ser ignorados. E mais do que isso: você precisa informar à Receita o que você vai importar para que ela possa controlar o fluxo de mercadorias entrando no Brasil.

Isso é feito por meio de um cadastro no Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros – o Radar. Quando você se cadastra nesse sistema, é preciso preencher uma declaração de importação em que vai discriminar os itens sendo importados e para qual finalidade.

Fez isso? Ótimo, mais um passo em direção à legalidade.

Você precisa emitir nota e recolher impostos

A maioria dos lojistas de dropshipping internacional fogem da nota só de ouvir o nome. Isso porque os impostos que incidem sobre as mercadorias, e sobre o próprio ato de importar, inviabilizam a venda.

Mas não recolher esses impostos é cair na ilegalidade e, com certeza, uma hora ou outra, vai dar dor de cabeça. Muitos sites não são pegos devido à problemas de fiscalização, mas quanto maior o lucro, mais risco você vai ter. E sonegação de impostos não é brincadeira.

O básico que você vai pagar é o IPI e o PIS/Cofins, além do ICMS para o estado. Além disso, existem várias outras taxas aduaneiras que você precisa pagar.

Alguns desses impostos vêm sobre a nota fiscal, enquanto outros estão mais relacionados com as atividades aduaneiras. De qualquer maneira, para não ser ilegal, você precisa pagar tudo isso. Se você compra um produto a R$ 100,00 e cobra R$ 130,00 para o seu cliente, você precisa emitir uma nota de serviços sobre esses R$ 30,00 de lucro.

Essa é uma conversa para levar ao seu contador antes de abrir esse tipo de negócio.

Em algumas vezes é ilegal por falta de legislação

O maior problema que o dropshipping internacional apresenta, de longe, é a falta de legislação específica, ou seja, um sistema exclusivo para esse tipo de vendas.

É que, segundo essas recomendações que eu coloquei aí em cima, você não é lojista: você é intermediário de importação.

Isso é o que leva muita gente para a ilegalidade, por não saber mesmo como proceder. Os contadores, por exemplo, também têm muitas dúvidas, já que a grande maioria trabalha com o comércio varejista, não com importação de produtos.

Malhete de juiz em superfície de madeira clara

Mas aí já estamos entrando em outro assunto: a viabilidade. Já está na hora de responder essa pergunta, não é? O dropshipping internacional é viável? Vejamos:

O dropshipping internacional é viável?

Com tudo isso que discutimos, vai ficando cada vez mais claro que quanto mais legalizado for o modelo de dropshipping internacional, mais inviável ele vai ficando.

Isso por si só é um problema. O que leva muita gente a comprar nesses sites é justamente o preço baixo, quase a preço de custo. Bom, isso é, no mínimo, desleal com os outros e-commerces que pagam todas suas contribuições corretamente e em dia.

De repente, tendo que pagar impostos e taxas, o dropshipping internacional começa a perder essa vantagem. Os preços sobem e, no final das contas, o monte das desvantagens está maior e com pouquíssimos diferenciais.

Na minha opinião, um e-commerce dropshipping internacional não é viável a longo prazo. E aqui te mostro o por quê:

Prazo de entrega caótico

Você nunca sabe quando o produto realmente vai ser entregue. Esse é um problema enorme do dropshipping internacional.

Segundo o Código de Defesa do Consumidor, todo produto vendido precisa ter uma previsão de entrega. Isso é básico. O problema é que você pode até prometer os 30 dias da média de entrega, mas não sabe se o produto realmente vai chegar nesse período.

Muita coisa pode acontecer para atrasar:

  • Você não conhece bem o fornecedor: normalmente fornecedores estrangeiros não estão muito preocupados em manter uma constância nos prazos de entrega. Algo pode acontecer por lá e atrapalhar uma remessa inteira de produtos.

  • O produto pode parar na Receita: existem vários níveis de fiscalização aduaneira. Às vezes, até o Exército precisa fiscalizar um produto. Tudo isso atrasa a entrega e gera transtorno para o cliente, já que é ele que arca com taxas adicionais, não você.

  • O caminho é longo: muita coisa pode acontecer em alto mar. Muita coisa pode acontecer ainda lá na China. Muita coisa pode acontecer aqui. O ponto é que existem várias “barreiras invisíveis” no dropshipping internacional por conta da distância. Quanto mais distante está o produto do cliente, mais problemas podem acontecer no meio do caminho.

Esses são os principais motivos de atrasos. E no final, quem sai no prejuízo normalmente é você, que vai ter um índice muito alto de chargeback.

Pessoa embalando caixa de papelão com papel filme. Ao fundo, mais caixas de papelão.

Falta de controle na qualidade dos produtos

Esse é um problema sério do dropshipping internacional. E a culpa não é toda do lojista que está trabalhando com o formato. O problema é que a situação em si não é ideal.

O controle na qualidade dos produtos está inteiramente relacionado com o seu fornecedor. Com o dropshipping internacional, você não sabe:

  • Qual é a matéria prima usada;
  • Se o produto é resistente ou não;
  • Como o pacote é enviado;
  • Como são as condições de trabalho na indústria;
  • Se haverá quedas na qualidade.

E mais. A questão é que isso é mitigado com um fornecedor parceiro, mas nem sempre é fácil fazer essas parcerias. Na verdade, normalmente é bem complicado por barreiras linguísticas, culturais e geográficas.

Então, do ponto de vista do produto, o dropshipping internacional não é viável.

O produto é barato, mas dá dor de cabeça

Vamos supor que você venda mochilas. Você paga R$ 10,00 por cada uma e revende a R$ 100,00. Uma margem incrível, não é? Mesmo descontando os impostos e tudo mais, com um bom volume de vendas você vai faturar bastante.

O que muita gente diz por aí é que esse preço não compensa, afinal os problemas com os produtos vão ser tantos que no fim você acaba perdendo dinheiro. Olha, não é bem por aí, precisamos ser imparciais aqui.

Mesmo que você tenha que arcar com uma substituição do produto, ele ainda é muito barato. Muitas empresas que praticam dropshipping internacional simplesmente trocam o produto de imediato no caso de reclamações, porque é mais fácil lidar com esse prejuízo pequeno – já que o preço é baixo – do que com a dor de cabeça.

Homem apertando os olhos com os dedos, com dor de cabeça ou estressado. De frente a ele um notebook aberto.

E isso aí é o que mais se tem: dor de cabeça. Mesmo com um dropshipping internacional perfeitamente legalizado, você vai perceber que operar dessa maneira é muito complicado a longo prazo. Não importa o que você faça, toda venda vem com grandes chances de dar errado.

E aí você precisa receber a reclamação, fazer um outro pedido, lidar com clientes nervosos nas Mídias Sociais, responder no Reclame Aqui, etc. E isso não é só uma ou duas vezes por mês. Pelo seu modelo naturalmente difícil de controlar, essas reclamações e esses problemas são frequentes.

Agora pra finalizar, deixo a minha opinião mais uma vez: não acho que o dropshipping internacional seja viável. Os preços são o maior diferencial, mas eles são especialmente bons para quem opera na ilegalidade. E se você trabalha com tudo certo e legal, começa a perder mercado para quem está na margem da lei e compra mais barato.

O modelo que eu recomendo fortemente é o dropshipping nacional. Acredito, sinceramente, que ele seja a alternativa para o futuro do e-commerce brasileiro, e tenho um texto exclusivo sobre o assunto, na primeira parte dessa série sobre dropshipping. Saiba mais!